Tracking Subjetivo

O tracker é conhecido como a consciência do time. É ele quem mostra números, gráficos, tabelas. Os dados que o tracker coleta podem ser objetivos (ex: número total de testes, total de horas estimadas por release, estimativas versus realizações) ou subjetivos (ex: nível de satisfação da equipe, qualidade do código. Coloco aqui algumas fotos de tracking subjetivo, tiradas de cartazes feitos durante o segundo semestre de 2007 no Projeto Borboleta

A primeira delas (clique na imagem para vê-la em tamanho grande) é do “humorômetro” da equipe. Durante o semestre, em todos os dias de trabalho, cada membro da equipe era responsável por desenhar a sua “carinha”, representando seu estado de espírito: triste, feliz, irritado, etc. Ao longo das primeiras semanas a equipe exagerou no humor. O excesso de humor prejudicou o caráter informativo que o cartaz deveria ter. No cartaz à direita da foto, a equipe tentou melhorar o nível de informação, criando um código de cores para cada estado de humor. As faltas eram marcadas com fantasmas (no cartaz da esquerda) ou hachuras (à direita).
A segunda foto possui um gráfico que mostra a análise da equipe em relação a qualidade do código. No eixo X está o andamento de cada release. No eixo Y uma nota de 0%(ruim) a 100% (ótimo) do que a equipe acredita ser o quesito qualidade. Cada ponto no gráfico corresponde a um dia em que a equipe trabalhou e “votou” na qualidade do código. Observe no release 1.2 a colata de dados começou quando a release já estava 80% completa. Já na release 1.3 houve uma displicência por parte do tracker em coletar os dados. Foram plotados somente os pontos no começo e no fim da iteração, gerando uma linha reta no gráfico, que o coach (eu no caso 🙂 comentou como “lamentável”Coletar dados subjetivos sobre a equipe é tão (ou até mais) importante quanto analisar dados objetivos sobre o código. Toda equipe de desenvolvimento de software é composta de seres humanos. Seres humanos são imprevisíveis. Grande parte das informações que se pode obter sobre essa equipe é analógica, subjetiva. Observar com atenção essas informações e torná-las visíveis para a equipe certamente tornará o ambiente agradável, divertido e produtivo.

3 Comments Tracking Subjetivo

  1. Rafael Mueller

    Olá,

    Além de tornar o ambiente agradável e divertido (não que isso seja pouco) você ve mais algum benefício no “humorômetro”?

    A opinião da equipe sobre a qualidade do código, IMHO, contribui pra eles sempre tentarem elevar o valor ao máximo 🙂

    Abraço!

  2. Daniel Cukier

    Trabalhar em equipe significa lidar constantemente com seres humanos, sujeitos aos mais diversos estados de humor. Ao saber o estado de humor do seu colega de trabalho, você poderá tratá-lo de maneira mais adequada. Se ele estiver triste, por exemplo, você tomará cuidado em não exagerar nas brincadeiras, ou tentará deixá-lo mais animado, se oferecendo para ajudá-lo em alguma questão particular. O humorômetro traz também a idéia de transparência: somos seres humanos e temos o direito de estar cada dia num estado de espírito diferente.

  3. Anonymous

    Muito legal essa preocupação e atitude profissional de se tratar os recursos humanos do projeto. Afinal, antes de recursos, eles são pessoas com sua complexidade natural intrínseca. Parabéns pela iniciativa!

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