Vipassana, XP e Mudanças sem Medo

No começo de maio tive o privilégio de mais uma vez participar de um mini-retiro de Vipassana. Um curso inteiro de Vipassana dura 10 dias. Alunos que já fizeram o curso se reunem uma vez por mês para o retiro de um dia. Nesse dia meditam 7 horas e o propósito é reascender a disciplina de praticar a meditação continuamente. No curso de Vipassana aprendemos que a continuidade da prática é o segredo do sucesso (Melhoria Contínua). A prática de Vipassana está fortemente ligada à idéia de mudança. Praticar Vipassana ajuda cada pessoa a entender profundamente como os processos de mudanças acontecem na natureza humana e como lidar de forma objetivo com a mudança.

O título em inglês do livro de Padrões para Introduzir Novas Idéias é “Fearless Change” (Mudança sem Medo). Toda inovação, toda idéia nova significa uma mudança. Morre o velho, nasce o novo. A inovação é um processo de transformação. Para introduzir uma nova idéia é preciso convencer a grande massa a mudar, a aceitar a morte do que não é mais adequado ao novo tempo. A própria aceitação da nova idéia causa transformação. Essa transformação cria mais mudança e outras novas idéia. Um fluxo contínuo e insessante de mudanças, como a vida. Todos nós estamos imersos nesse fluxo e um dos maiores entraves para a evolução é o medo da morte.

O sub-título do livro do Kent Beck sobre XP: “Embrace Change” (Abrace a Mudança). O quarto preceito do manifesto ágil lembra a importância de adaptar-se a mudanças. Tudo em métodos ágeis remete a mudança. Fica cada vez mais claro que os melhores projetos de software são aqueles que conseguem implantar melhoria contínua no seu processo de desenvolvimento. Melhoria contínua só é possível quando se tem baixo custo de mudança. Uma das forças que aumenta o custo de mudança é a força de resistência, o medo.

Como se pode ver, não é por acaso que cito freqüentemente essas fontes (Vipassana, Padrões, XP). Todas elas estão fortemente ligadas. São pontos de vistas diversos sobre um mesmo assunto: mudança. Um outro ponto em comum é que todas falam de práticas. Não se aprende Vipassana falando sobre ela. É preciso praticar. São se aprende XP discutindo e racionalizando seus conceitos. XP é trabalho, é dia-a-dia, é melhoria contínua. Uma idéia inovadora não é nada se só existe na cabeça de seu criador. É preciso prática! Padrões são práticas. É preciso viver a experiência para aprender a lidar com as situações inusitadas e “criar” novos padrões (padrões na verdade não são criados, eles já existem, porém precisam ser identificados e nomeados).

A Vipassana trabalha a nossa relação com mudanças numa esfera mais profunda e subjetiva. Promove sabedoria de dentro para fora. XP e Padrões para Introduzir Novas Idéias lidam com questões mais superficiais e promovem sabedoria de fora para dentro. E sabedoria é entender como ocorrem as mudanças, por que elas ocorrem e principalmente, como lidar com elas.

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