Dojo Ojod (ou Scrapheap Challenge)

No mês passado participamos de uma atividade promovida pela ThoghtWorks Brasil em Porto Alegre e organizada pelo Carlos Villela (CV). Eles aproveitaram a ocasião do FISL12 para organizar esse pequeno evento no confortável escritório que fica dentro do campus da PUC-RS. Foi pequeno em relação ao número de participantes (acho que éramos em uns 30), mas enorme em divertimento e aprendizado.

A brincadeira era uma espécie de Dojo, com regras um pouco exóticas. A ideia original foi do Nat Pryce e do Ivan Moore, e eles chamaram de Scrapheap Challenge, por causa do programa de TV, mas eu resolvi re-batizar para Dojo Ojod (um palíndromo de Dojo ao contrário), pois foi exatamente assim que o CV definiu (e que eu concordo muitíssimo): um Dojo ao contrário.

Vamos lembrar que o objetivo principal do Coding Dojo é aprender, num ambiente amistoso e divertido. Nesse quesito o Dojo Ojod é bem semelhante ao Dojo Randori (a mais tradicional modalidade de Dojo). O que muda é que no Dojo Randori temos que fazer TDD, seguir passos de bebê e escrever o melhor código possível, refatorando, deixando ele elegante. No Dojo Randori não temos o objetivo de resolver o problema proposto. Já no Dojo Ojod o objetivo principal é resolver o problema, só que de uma maneira não convencional. Na verdade, a regra é resolver o problema com o maior número possível de gambiarras e escrevendo o mínimo de linhas de código que pudermos. Vale usar qualquer coisa, desde scripts nojentos até ferramentas prontas na Web, planilha de Excel, tudo que tem de mais abominável em matéria de desenvolvimento de software. O importante é favorecer a reutilização.

Aqui vão as instruções de como organizar um Dojo Ojod você mesmo:

  1. Exponha a lista de problemas (veja os exemplos de problemas abaixo). Normalmente é bem ter umas 5 opções.
  2. Cada pessoa escolhe que problema quere fazer. Dessa forma todos se dividirão em alguns grupos.
  3. O ideal são grupos de 4 a 6 pessoas. Tente fazer com que isso aconteça, re-arranjando as pessoas caso seja necessário.
  4. Cada grupo irá trabalhar isoladamente por 2 horas (cada grupo pode se sub-dividir como preferir se achar melhor).
  5. Durante o trabalho, lembrem-se de que o objetivo principal é resolver o problema com o maior número possível de gambiarras e escrevendo o mínimo de linhas de código.
  6. Passadas 2 horas, cada grupo irá apresentar para os outros a solução encontrada (acreditem, isso será muito engraçado!).

Um dos requisitos mais difíceis para esse tipo de Dojo é justamente criar problemas interessantes de serem resolvidos nesse tempo (2 horas). Vou passar aqui a lista dos problemas que tivemos na ThoughWorks:

  1. Aprender línguas estrangeiras
    Dado um filme e um .SRT (na língua original, se o filme é em inglês, a legenda deverá ser em inglês), o usuário busca por alguma palavra que deseja aprender a pronunciar. A app toca o filme na parte relevante.
  2. HelloKitty-net
    Dado qualquer acesso a uma pagina web, trocar as imagens por hello kitties.
  3. Música Mais Sortuda da Cidade
    Pegar os resultados das últimas loterias, converter em uma escala pentatônica e tocar o resultado de uma maneira interessante.
  4. Wikitranslator
    Dada uma palavra que se queira traduzir, fazer a tradução usando a wikipedia, usando comandos de voz.
  5. Voiceover twitter
    Acompanhe a timeline do twitter, acessando as URLs e lendo em voz o titulo da pagina
  6. Aprender línguas estrangeiras
    Dado um filme e um .SRT (na língua original, se o filme é em inglês, a legenda deverá ser em inglês), o usuário busca por alguma palavra que deseja aprender a pronunciar. A app toca o filme na parte relevante.

O grupo que eu participei resolveu o problema número 3 (a música mais sortuda da cidade). Para quem está curioso, veja a solução no meu github e ouça um trecho dessa música maravilhosa.

Essa dinâmica de Dojo nos faz perceber como existem infinitas maneiras de se resolver um problema e como podemos re-utilizar soluções prontas, agrupando-as da maneira adequada, sem a necessidade de escrevermos muito código.

Organize você um Dojo desses na sua comunidade e deixe o seu comentário aqui de como foi o resultado. Se conseguirem inventar novos problemas, por favor, me conte também 🙂

Não deixe de ler uma descrição mais detalhada do Scrapheap Challenge no site do Nat Pryce.

2 Comments Dojo Ojod (ou Scrapheap Challenge)

  1. Pablo Cantero

    Achei muito interessante, mas ainda não está claro para mim o benefício, por exemplo com o Coding Dojo usando TDD e Baby Steps praticamos programação para nos tornamos melhores programadores. Esse exemplo de Dojo Ojod é mais ou menos como aprendemos a programar instintivamente, tipo o axioma 1 do XGH, não?

    Por outro lado, sem sobre de dúvida que deve ser muito divertido, ainda mais com problemas como os propostos (o número 6 está repetido no seu post).

    Outro ponto é que se já conseguimos fazer com que as pessoas programem com pouca inibição em Coding Dojos “tradicionais”, eu imagino que nesse tipo “vai que vai”, todos devem participar.

    Abs

  2. Elias Tandel

    Pablo, me parece que a idéia não é treinar boas práticas ou aprender a programar, mas simplesmente se divertir. Nunca fiz esse tipo de dojo ao contrário, mas, pelo que li, de fato não seria algo que recomendaria para iniciantes. No entanto, acho que para programadores intermediários / avançados pode ser bastante divertido.

    Vou tentar realizar aqui com os amigos!

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