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The Art Improving Agile Software Development

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This article is originally published in the ACM Digital Library for the ONWARD ’11 Proceedings of the 10th SIGPLAN symposium on New ideas, new paradigms, and reflections on programming and software. I’d like to specially thank the co-author and friend Joe Yoder and Richard P. Gabriel for all patience and good advices with this work.

Para quem quiser, seguem os slides da minha palestra no Encontro Ágil 2009:

Sábado eu dei uma palestra de 20 minutos no 4o. Locaweb TechDay. Gostei muito de ter explorado esse tema. Muitas das ideias foram baseadas no livro Pragmatic Thinking And Learning, do Andy Hunt, misturado com minhas experiências pessoais. Confesso que tenho muitas outras coisas a respeito desse mesmo assunto que eu ainda quero falar. Façam seus comentários para me ajudar!

Pensamento e Aprendizado Eficiente – Desvendando o Cérebro Humano from Locaweb on Vimeo.

I’d like to share with you 2 scenes that I made in the theater. One was in 2005 in a play called a “Sétima Arte” – the scene is a trio singing Day’o Banana. The other is on a play called “O Banquete da Vida” – the scene is a guy selling Mentos in a train. Both were done in the Oficina dos Menestréis group.

Há um tempo tivemos na empresa um treinamento sobre Feedback. Uma das atividades da tarde foi criarmos encenações onde o líder deveria conversar com um subordinado e dar feedback sobre um determinado acontecimento (i.e. não cumprimento de meta, comportamento inadequado, etc.). Duas coisas estavam sendo trabalhadas: de um lado o “ator” no papel de líder estava simulando uma situação real e aprendendo a lidar com situações difíceis do dia-a-dia de forma lúdica. Do outro estava a platéia, que podia (se) observar de fora. Podemos considerar essa observação fundamental e valiosa para o aprendizado. Ao observar o outro (e suas reações) numa situação que já vivemos, podemos extrair novas saídas, novos comportamentos possíveis.

Na mesma semana do curso de feedback realizamos uma sessão de Dojo com os líderes de tecnologia. Dojo é um encontro de programadores que se reúnem para trabalhar em cima de um determinado desafio de programação. Eles estão lá para se divertir e melhorar suas habilidades através da prática “deliberada”. Existe uma diferença entre a experiência que ganhamos no cotidiano do trabalho e o aprendizado buscado por livre vontade. Esse exercício é uma grande oportunidade de aprender com os outros. É também uma oportunidade de Simplesmente Fazer. Só fazendo é que o programador tem a oportunidade de aprender. Podemos ler vários livros ou artigos sobre TDD, mas nunca saberemos o que o Desenvolvimento Orientado a Testes realmente significa se não o fizermos e praticarmos repetidas vezes.

No Dojo existem algumas regras rígidas a serem seguidas (e fundamentais para a eficácia do aprendizado). Seguindo essas regras, o grupo pode observar cada programador trabalhando e depois sugerir melhorias, num processo de feedback. É a prática contínua misturada com a observação que traz o aprendizado. Durante o exercício, dois programadores formam um par e trabalham em cima do código, enquanto a platéia observa em silêncio. Mesmo que a dupla esteja fazendo coisas muito erradas e absurdas, a regra é observar e só depois que os testes estiverem passando comentar. Além de tudo, é um grande exercício de disciplina (bons programadores só são bons porque têm muita disciplina). A cada 7 minutos troca-se uma pessoa da dupla, de forma de todos tenham a oportunidade de programar. No momento da troca fica claro como um código mal feito do passado pode atrapalhar um trabalho futuro. Outro fato evidente é ver os vários estilos de programação e como uma comunicação ineficiente dentro do time pode levar a resultados completamente improdutivos e muitas vezes desastrosos. Claro que a troca não é o principal fator que faz com que código ruim do passado seja difícil de manter no futuro. O código ruim em si é que é o problema. Um mesmo programador pode pegar um código seu do passado e não conseguir fazer nada com ele a não ser reescrever do zero, de tão calamitoso que estava o código. É interessante observar como é importante sempre fazer um código mínimo mas que ao mesmo tempo deixe espaço para evolução sem muito custo. Esse é o desafio. Muitas rodadas acabam focando mais nas discussões sobre qual seria o melhor código do que observar a dupla codificando

A vivência do Dojo pode ser encarada como uma experiência teatral. A princípio o termo “teatro” pode significar um lugar, um prédio onde acontecem representações teatrais. Mas teatro também pode ser apenas qualquer lugar onde coisas acontecem sob a vista de espectadores “paralisados”. Em Jogos para Atores e Não Atores, Augusto Boal diz que no sentido mais arcaico do termo, teatro é a capacidade dos seres humanos (ausente nos animais) de se observarem a si mesmos em ação. Todos os seres humanos são atores – porque atuam – e espectadores – porque observam. Somos todos “espect-atores”.

Existe uma forma de teatro criada por Augusto Boal e o grupo Teatro dos Oprimidos chamada Teatro Fórum. Essa forma foi muito difundida na Europa na década de 80 e consiste inicialmente num problema real que é apresentado como espetáculo teatral. Em seguida, os espectadores são convidados a entrar em cena, substituir o personagem “oprimido” na situação encenada (personagem que luta para transformar a sua realidade) e, através da improvisação, apresentar alternativas que mudem o rumo dos acontecimentos. O público, atravéz da observação, é então capaz de tirar conclusões que podem servir de gatilho para aprimoramentos em suas vidas individuais.

É claro que existe uma grande diferença entre a resolução de um problema humano e psicológico (razão pela qual o Teatro dos Oprimidos foi criado) e a resolução de problemas matemático-computacionais. Mas não podemos negar que, mesmo na solução de questões algorítmicas complexas, existem pessoas realizando um trabalho. Se o problema tiver que ser resolvido por várias pessoas, é preciso existir muita qualidade na comunicação. Ainda mais quando tiverem pessoas de diferentes níveis de maturidade. Cada um poderá resolver a questão de forma diferente, mas todos precisam aprender com o processo. Ver o outro errar ou acertar é uma forma de reconhecer as próprias limitações ou habilidades. Ao mesmo tempo em que o Teatro (=Dojo) nos expõe individualmente, ele traz a tona oportunidades de aperfeiçoar e ampliar nosso conhecimento.

Podemos encarar a dupla do Dojo como dois atores que estão representando personagens de programadores. Porque um programador também pode ser visto como um personagem. Ele pode ser nervoso, inquieto, ansioso, calmo, empolgado, rápido, egoísta, desanimado: todas características humanas e que podem mudar com o tempo (num dia o programador está ansioso, no outro ele está calmo). Como lidar com todas essas emoções no dia-a-dia de forma hábil?

A platéia numa sessão de Dojo é como o público no teatro, que observa as reações e comportamentos das personagens. Não há forma melhor de aprendermos a lidar com situações inusitadas senão vivendo-as e observando-as. Mas para vivê-las e querer observar é preciso encarar nossas deficiências e respeitá-las, e saber que com trabalho e muita prática podemos melhorar sempre.

No ano de 2000, pela iniciativa do Prof. Valdemar Setzer, foi criado no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP) um curso de Leitura Dramática para alunos de ciência da computação. Desde 2003 a disciplina tornou-se parte do currículo dentre as optativas do curso de computação. Cerca de 30 alunos se matriculam por semestre na disciplina, ou seja, cerca de 500 alunos “computeiros” já participaram dessa vivência.

Os alunos do curso já fizeram mais de oito montagens teatrais, com o auxílio da Professora Jolanda Gentilezza. Estudantes de computação são obrigados a conviver com verdades absolutas, provadas matematicamente. Essa overdose de lógica e digitalidade contribui para afastar os “hackers” do contato com sentimentos, relações interpessoais. O teatro tem o papel de equilibrar o pensamento lígico com o lado analógico e imprevisível do ser humano.

O primeiro benefício direto da prática teatral é o aprimoramento da habilidade de comunicação. O contato com textos de qualidade promovem o desenvolvimento lingüistico. Atuar contribui para o desenvolvimento e formação de líderes comunicativos. Um dos fatores que colabora para o sucesso das empresas é a qualidade da comunicação entre seus funcionários.

O teatro também ensina a lidar com emoções. Ele ajuda na difícil tarefa de reconhecê-las e de perceber suas conseqüências na mente e no corpo. Além de reconhecer os próprios sentimentos, cada ator desenvolve a empatia, capacidade de reconhecer o sentimento de outras pessoas. Isso ajuda as pessoas a trabalhar em equipe, aprimorando os espaços colaborativos.

Ao participar de atividades teatrais, as pessoas têm a oportunidade de desenvolver suas habilidades criativas. No teatro é permitido criar sem limites. Lá é permitido ser diferente e inventar. Todo bom programador quer, no fundo, isso: criar bons programas.

As ciências exatas e a computação são conhecimentos técnicos fundamentais para um grande programador. Essa técnica ele desenvolve diariamente em seu trabalho natural e estudos. A proposta do teatro (e de outras vivências humano-artísticas) é desenvolver a capacidade criativa para que o programador possa usar todo esse conhecimento técnico e lógico que ele já possui para criar coisas maravilhosas e inovadoras.

A lógica, a matemática, a computação, são ferramentas. São técnicas. Conhecer a técnica é fundamental. Mas existe um conhecimento anterior a técnica que deve ser desenvolvido: o conhecimento do que é não-definido (ou mal-definido). O contato com o incerto, o analógico. A vivência com o próprio corpo, a experiência objetiva com sensações. São essas vivências que desenvolvem a criatividade e a comunicação. Quando unimos criação e comunicação com conhecimento técnico e força de trabalho numa empresa de software, temos o ambiente ideal para o surgimento de grandes produtos tecnológicos.

Certo sábado escrevi no quadro branco da equipe os seguintes dizeres:

JÁ PENSOU EM ARTE HOJE?

– música
– dança
– pintura
– escultura
– poesia
– teatro
– cinema

Usei o padrão “No Seu Espaço” do livro Padrões para Introduzir Novas Idéias. Queria deixar visível uma idéia. A idéia de usar arte dentro do ambiente de desenvolvimento de software. O curioso é que na segunda-feira, os dizeres não estavam mais no quadro. Alguém tinha apagado. Por já conhecer os padrões “A Última Maioria” (último grupo de pessoas a aceitar uma idéia nova) e “Retardatários” (grupo que nunca aceita, ou que aceita forçadamente), não me incomodei em ser impedido de expressar o que queria. Afinal, o padrão “O Suficiente” diz para respeitar o tempo de aceitação das pessoas. Uma informação de cada vez. Quem viu a mensagem viu. Quem não viu, verá numa próxima oportunidade.

Eu continuo convicto, afinal, sou um “Defensor Dedicado” e me apóio em idéias de “Grandes Personalidades”: Richard Gabriel, Paul Graham, Kent Beck, Valdemar Setzer. Tenho o aval do meu orientador Prof. Dr. Fábio Kon.

A questão que fica em aberto é: como ter arte no dia-a-dia de uma empresa de tecnologia? O que eu não estou enxergando?

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