Valsa do Empreendedor


Eu vou montar um negocio, já pensei na ideia e sou programador
Tenho uma amiga designer, registrei um domínio, contratei servidor
É um momento novo na minha vida de trabalhador
Chega de ser empregado
Meu destino agora é ser empreendedor

Empreendedor, empreendedor,
O meu destino agora é ser empreendedor

Ter uma empresa é bacana,
Não tem chefe, não tem grana,
Basta um computador
Uma garagem já serve
Uns amigos, umas brejas e programar com ardor

Vou inovar, inventar, sei que vou encontrar um bom investidor
Chega de ser empregado
O que eu quero agora é ser empreendedor
Empreendedor, empreendedor,
O que eu quero agora é ser empreendedor

Minha startup deu certo,
Fiquei rico, sou esperto,
Já virei um mentor
Falo as besteiras pro povo
E eles ouvem, acreditam
Que eu sou seu salvador

Mas eu sou só um ser humano salvando a si mesmo entendendo a dor
Sei que empreender é uma arte
Tentando faz parte
A sorte o amor

Empreendedor, empreendedor,
O que eu quero agora é ser empreendedor
Empreendedor, empreendedor,
O meu destino agora é ser empreendedor
Empreendedor, empreendedor,
O que eu quero agora é ser empreendedor
Dor, dor, dor, dor, dor, dor, dor
O que eu quero agora é ser empreendedor

Empreendedorismo em Linha Reta

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Meu nome é Álvaro. Sou empreendedor. Quando olho para os lados e vejo outros empreendedores, me sinto sozinho. Nunca conheci ninguém que tivesse levado porrada como eu. Todos os outros empreendedores parecem ser campeões em tudo.

E eu, tantas vezes ansioso, tantas vezes perdendo a paciência e pensando em desistir de tudo. Indescupavelmente sujo. Cheio de dúvidas, cometo um monte de erros, me sinto ridículo. Sou, de fato, muitas vezes ridículo, absurdo, grotesco, mesquinho, submisso, arrogante. Sofro porrada de todos os lados e me calo. Quando não me calo, sou mais ridículo ainda.

Chego a ser cômico com os meus funcionários. Estou falido, uma vergonha financeira, pedindo migalhas para tentar pagar as contas. Eu, que, quando chegou o momento do soco, me esquivo, para fora da possibilidade do soco. E sofro com a angústia das pequenas coisas ridículas. Nesse momento, percebo que não faço parte desse mundo.

Todo empreendedor que conheço e fala comigo, nunca teve um ato ridículo, nunca levou porrada, nunca foi senão um rei — todos eles reis — na vida…

Quem me dera ouvir de algum empreendedor a voz humana, que confessasse não algo grave, mas um pequeno errinho. Que contasse não uma falência, mas uma vacilada! Não, são todos o Ideal, quando falam e eu os ouço. Quem há neste mundo que me confesse que já perdeu e se ferrou?

Ó reis, meus irmãos, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo empreendedor?

Então sou só eu que comete erros e se ferra nessa terra?

Poderão não ter caído no gosto dos investidores, podem ter sido enganados por um sócio — mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido enganado, como posso eu falar com os meus superiores sem vacilar? Eu, que tenho sido desprezível, literalmente fracassado, fracassado no sentido mesquinho e infame do fracasso.