Empreendedorismo em Linha Reta

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Meu nome é Álvaro. Sou empreendedor. Quando olho para os lados e vejo outros empreendedores, me sinto sozinho. Nunca conheci ninguém que tivesse levado porrada como eu. Todos os outros empreendedores parecem ser campeões em tudo.

E eu, tantas vezes ansioso, tantas vezes perdendo a paciência e pensando em desistir de tudo. Indescupavelmente sujo. Cheio de dúvidas, cometo um monte de erros, me sinto ridículo. Sou, de fato, muitas vezes ridículo, absurdo, grotesco, mesquinho, submisso, arrogante. Sofro porrada de todos os lados e me calo. Quando não me calo, sou mais ridículo ainda.

Chego a ser cômico com os meus funcionários. Estou falido, uma vergonha financeira, pedindo migalhas para tentar pagar as contas. Eu, que, quando chegou o momento do soco, me esquivo, para fora da possibilidade do soco. E sofro com a angústia das pequenas coisas ridículas. Nesse momento, percebo que não faço parte desse mundo.

Todo empreendedor que conheço e fala comigo, nunca teve um ato ridículo, nunca levou porrada, nunca foi senão um rei — todos eles reis — na vida…

Quem me dera ouvir de algum empreendedor a voz humana, que confessasse não algo grave, mas um pequeno errinho. Que contasse não uma falência, mas uma vacilada! Não, são todos o Ideal, quando falam e eu os ouço. Quem há neste mundo que me confesse que já perdeu e se ferrou?

Ó reis, meus irmãos, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo empreendedor?

Então sou só eu que comete erros e se ferra nessa terra?

Poderão não ter caído no gosto dos investidores, podem ter sido enganados por um sócio — mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido enganado, como posso eu falar com os meus superiores sem vacilar? Eu, que tenho sido desprezível, literalmente fracassado, fracassado no sentido mesquinho e infame do fracasso.

O Hype que só atrapalha

O tema startups e empreendedorismo virou moda. Tanto é que já virou até tema de novela na Globo. O fato de virar moda e de muito se falar sobre o assunto em si é até bom. Antes ninguém sabia o que era uma Startup. Esse hype estimula o empreendedorismo e o surgimento de empresas com potencial de inovação. Novos empreendedores nascem e se manifestam. As pessoas têm a oportunidade de aprenderem umas com as outras. Começa a se formar uma comunidade que se ajuda e se auto-motiva.

Junto com esse mar de possibilidades positivas para o empreendedor, surge também muita porcaria. Quando a onda vem forte e arrebenta, o que sobra é espuma, que só faz volume e não tem força alguma a não ser para obscurecer a nossa visão. Não me refiro apenas ao oportunismo ou mal caráter, mas também à incompetência, seja pela desinformação, seja pela falta de visão sistêmica ou pensamento holístico (e diria até falta de um certo altruísmo). Talvez tudo que exista de ruim em um ecossistema de Startups seja uma mistura de um pouco de cada uma dessas coisas.

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