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I’d like to announce the release of my first book, PARA TODOS.
It’s a poetry book and there will be a small party with autographs and wines at Livraria Cultura in Shopping Villa Lobos. In the party, Trio Dellaz will sing for one hour and I will read some poetry of the book.

Everybody is welcome to this great moment!

Há algum tempo falei sobre a relação entre poesia e programação. Desde esse post venho praticando minha escrita de poesias. Com isso viso melhorar:

  • Minha habilidade de escrever
  • Meus conhecimentos da língua portuguesa
  • Minha habilidade de me expressar em uma língua
  • Minha habilidade de programar, já que programar não deixa de ser uma maneira de expressar idéias usando uma linguagem definida

Nesse momento gostaria de compartilhar uma de minhas poesias e convidar todos a conhecer meu blog de poesias, fruto deste estudo. Em breve, essas poesias serão publicadas num livro. Aí vai uma delas, um repente que representa muito meu momento como profissional e artista:

Do que é que se trata

Só trabalho de trabalho
Que trabalho me esbugalho
Quebro o galho me atrapalho
Mas não falho nem me canso

Tem reunião de reunião
Que reunião não abro mão
De discussão aprovação
E solução não tem descanso

Não sei dormir só produzir
Mais investir me instruir
E progredir pra onde ir
Não vou medir nenhum esforço

Para parar paralizar
De trabalhar vou disparar
Do chão pro ar me preparar
Pra programar roendo o osso

Sou animal que toca o pau
E não faz mal não ter sinal
No meu ramal de alguém normal
Isso é legal e não é pouco

Trabalho assim não é pra mim
É que compus sombra sem luz
Você já viu é como um rio
Um não sem til correndo louco

(São Paulo – 10/03/2008)

Em dezembro de 2002, Richard Gabriel, um grande nome da Computação e ex-engenheiro da Sun, falou sobre a semelhança entre programar computadores e escrever poesias. Como é possível que essas duas atividades, aparentemente pertencentes a áreas tão distintas, tenham coisas em comum?

O atividade de escrever software deve ser vista como uma atividade criativa. Afinal, software interessante de se fazer é software que nunca foi feito. Essa atividade não pode ser comparada à de criar pontes, por exemplo. Nós construímos pontes há mais de 2000 anos. O software mais antigo não deve ter mais de 50 anos! Mesmo utilizando boas ferramentas, um programador está quase sempre criando uma coisa nova. Se olharmos para o código de vários programadores, veremos o mesmo problema resolvido de várias maneiras diferentes. Existem programas bem e mal escritos. Por ser uma atividade totalmente criativa, programadores deveriam ser treinados como pessoas criativas, artistas e poetas.

E como os poetas são treinados? Eles estudam grandes obras e a vida de grandes poetas! Isso é feito com software? Olhamos para grandes pedaços de código? De maneira geral, a grande literatura de software não é consultada pelos engenheiros.

Para que um poema fique realmente bom, ele normalmente passa pela revisão de várias pessoas. Depois de escrito, normalmente alguém o revisa. O poeta faz então algumas alterações. Uma outra pessoa revisa. Depois vai para a editora. Nova revisão. Nós fazemos isso com software? Nas metodologias ágeis, o processo de criação de software se tornou muito mais interativo: cria-se uma parte do software; o cliente revisa; o software é melhorado; o cliente revisa novamente. É obvio que não podemos planejar todo o software antecipadamente. Se pudéssemos, não haveria a necessidade de lançarmos várias versões!

Dizem que você sabe reconhecer um grande poeta pelo tamanho de sua obra. Isso significa que quanto mais se escreve, mais experiência se obtém e melhores vão ficando os escritos. Quantos poemas possui um grande poeta? 1000? 2000? Quantos softwares você escreveu? 50? 100?

A idéia principal é que para escrever bom software precisamos:

  • Consultar uma boa literatura
  • Praticar muito
  • Ter pessoas criticando o que escrevemos

Se procurarmos na Amazon livros de “aprenda em 21 dias”, a maioria deles será sobre computação. Escrever software é uma arte! Leva-se no mínimo 10 anos para ficar bom nisso. As pessoas teimam em acreditar que programar é umas atividade fácil e complementar, quando na verdade é uma atividade central, difícil, humana e sociológica.

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